O ano de 2025 foi, de forma geral, um período positivo para a Organização para a Defesa e Desenvolvimento das Zonas Húmidas (ODZH) e para os parceiros envolvidos na promoção da conservação ambiental na Guiné-Bissau.
Entre os principais avanços registados, destaca-se a elaboração do Plano de Ação da Área Comunitária de Mata de Ucó e Bote. Este processo representou um passo importante na consolidação da gestão comunitária dos recursos naturais, integrando também a parte sul. Era anteriormente território designado como Complexo Ecológico de Mata de Ucó e Bote, que passa agora a ser reconhecido de forma unificada como Área Comunitária de Mata de Ucó e Bote. Durante este processo, foi possível mobilizar e envolver ativamente as comunidades locais que tinham esse interesse e estabelecer uma estrutura de gestão comunitária. Foi iniciado um conjunto de formações destinadas aos seus membros. E isso contribui para reforçar o entendimento sobre os objetivos da criação da área comunitária, as atividades permitidas, as regras de gestão e o regulamento que deve orientar o uso sustentável dos recursos naturais.
Outro aspeto relevante foi o reforço das parcerias institucionais. A ODZH trabalhou em articulação com diferentes atores, incluindo o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), a Brigada de Proteção da Natureza e Ambiente (BPNA), as autoridades administrativas e outras instituições. Este trabalho colaborativo visa também reforçar os mecanismos de aplicação das regras de conservação, permitindo que, em situações de infração, as autoridades competentes possam intervir e garantir o cumprimento das normas estabelecidas.
A capacitação de professores e a sensibilização das comunidades foram igualmente componentes importantes das ações realizadas. Ao longo do ano, várias atividades de formação foram conduzidas, contribuindo para melhorar significativamente a compreensão das comunidades sobre o conceito e a importância das áreas comunitárias.
Hoje, observa-se uma mudança positiva na forma como as comunidades percebem e valorizam os seus territórios e os recursos naturais de que dependem.
Apesar dos progressos alcançados, alguns desafios persistem. Entre as principais dificuldades enfrentadas destacam-se as limitações logísticas e financeiras. Muitos dos projetos disponíveis possuem recursos reduzidos, o que impõe limites à capacidade de resposta às diferentes necessidades das comunidades. No entanto, esforços continuam a ser feitos para superar estes obstáculos, incluindo a mobilização de novas parcerias e iniciativas.
Também tem o projeto Ocean 5, coordenado pelo IBAP e pela PRCM, que apoia o desenvolvimento de atividades geradoras de rendimento para as comunidades.
No plano nacional, 2025 foi também um ano marcante para a conservação ambiental na Guiné-Bissau, com a classificação do Arquipélago dos Bijagós como Sítio do Património Mundial Natural da UNESCO. Este reconhecimento internacional representa a valorização de décadas de trabalho conjunto entre o IBAP, organizações da sociedade civil, técnicos especializados e, sobretudo, as comunidades locais que têm contribuído para a proteção deste importante ecossistema, reconhecido desde 1996, como Reserva da Biosfera. Nos últimos anos, a ODZH também tem desempenhado um papel ativo neste processo, particularmente através da formação de professores e da criação dos Clubes de Amigos das Zonas Húmidas e das Aves (CAZHA) nas escolas do arquipélago.
Hoje, nas ilhas onde estas iniciativas foram implementadas, é cada vez mais comum encontrar estudantes e professores conscientes da importância da conservação ambiental e capazes de participar ativamente neste processo.
Para o ano de 2026, a ODZH pretende consolidar e aprofundar os avanços alcançados. Entre as principais prioridades está o reforço do conhecimento científico e técnico na área da conservação das zonas de tarrafe, com especial enfoque em atividades de investigação e produção de conhecimento. Outra prioridade será a consolidação da gestão comunitária da Área Comunitária de Mata de Ucó e Bote, garantindo que as estruturas criadas continuem a fortalecer a sua capacidade de atuação e liderança na gestão sustentável dos recursos naturais. A organização pretende igualmente apoiar os trabalhos de conservação nos núcleos de Jeta e Picixe, bem como em Tam e Canhob. Em particular, os núcleos de Jeta e Picixe representam áreas onde a ODZH tem vindo a trabalhar há vários anos e onde acredita poder continuar a contribuir de forma significativa, utilizando a experiência adquirida na Mata de Ucó como referência para reforçar os processos de gestão comunitária.
A conservação dos recursos naturais depende, em grande medida, do envolvimento ativo das populações locais. As comunidades são os principais guardiões dos seus territórios e nenhum esforço de conservação será sustentável sem a sua participação efetiva. A conservação exige mudanças de comportamento e estas transformações ocorrem através do diálogo, da aprendizagem mútua e da colaboração entre comunidades, instituições públicas, organizações da sociedade civil, jovens e mulheres. Ao longo do tempo, este esforço conjunto permitirá colher os benefícios da proteção dos recursos naturais dos quais todos dependemos.
A ODZH agradece a todos os parceiros, comunidades e instituições que têm contribuído para este trabalho coletivo e reafirma o seu compromisso em continuar a promover a conservação das zonas húmidas e o desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.